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Minha primeira tatuagem…

Nayara Mota

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Eu achava o máximo a assinatura do meu pai. Cheia de curva e personalidade. Eu achava que ela refletia muito quem ele era. E comecei a criar a minha tentando imitar a dele. Nunca achei que consegui.

Nessa foto, temos uma nova assinatura dele. A do pós diagnóstico do câncer. Depois que ele voltou da cirurgia para retirar o tumor da cabeça, ele ficou com todo o lado direito do corpo paralisado e sem conseguir falar.

A minha primeira tatuagem foi essa nova assinatura dele. Que retratava um novo momento e uma nova fase, ainda cheia da personalidade dele.

Esse novo traço foi feito no dia de hoje, mas a 7 anos atrás. Ela representa a dedicação do meu pai em querer melhorar, em aprender do zero a montar frases e a escrever. Mas agora, com a mão esquerda (ele era destro) e com alguns outros desafios que surgiram como consequências da doença e da cirurgia.

Quantas vezes paralisamos diante de uma dificuldade? Ou desistimos sem antes mesmo tentar? Ou quantas vezes evitamos encerrar ciclos que não fazem mais sentido por medo de recomeçar?

Eu tatuei no meu anti-braço esquerdo o que representa a força e a coragem dele. Pra sempre me lembrar de ter coragem para recomeçar, não ter medo dos desafios, não ter medo de cair e nunca parar de tentar.

Uma coisa que eu não sabia é que eu não precisava de uma tatuagem para me lembrar disso. Tudo o que o meu pai me ensinou está tatuado no meu coração. E às vezes, eu até esqueço da tatuagem no braço.

Mas, se não fosse pela vontade de tatuar na pele, eu não teria buscado esse registro da letra dele com a fono. Nem teria descoberto que ele estava ansioso para escrever o meu nome mas que não deu tempo. E nem estaria tendo esse momento para refletir sobre a importância dos recomeços e sobre não deixar para amanhã o que podemos fazer hoje.

Nada é por acaso.

Encerrar ciclos é importante. Recomeçar é essencial. Ser quem a gente é é fundamental. Tenho aprendido que esse é o grande barato da finitude da vida. 💚

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