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Cigarro: O grande companheiro do meu pai…

Nayara Mota

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O cigarro foi o grande companheiro do meu pai. Era o que acalmava ele. Ao mesmo tempo, foi um dos grandes responsáveis por ter levado ele embora com o surgimento de um câncer.

Na verdade, não foi o cigarro que levou o meu pai embora, foi o meu próprio pai que desenhou o seu destino.

Ele escolheu fumar e não abria mão disso por nada. E quem sou eu pra julgar? Pra condenar? Pra criticar?

Após a partida dele, eu tenho aprendido muitas coisas. Uma delas é que, muitas vezes, as pessoas ao nosso redor estão sofrendo sem nem perceberem o que estão enfrentando. E ainda que saibam, elas tem o livre arbitrio de escolher o que querem fazer – ou não fazer.

O que é difícil de aceitar, muitas vezes, é que nós não podemos fazer escolhas pelo outro. Aliás, já é difícil fazer pela gente, imagina para o outro?!

Uma coisa que nos cabe é o respeito. Por mais errado que você julgue ser, só a pessoa sabe o que se passa dentro dela, as suas vontades ocultas, as suas dores, os seus anseios e… a sua cura – mesmo que seja o cigarro.

A morte parece ser muito confortável pra mim. Entre morrer e viver, viver me parece ser muito mais difícil. Isso pode soar estranho. Mas cheguei nessa conclusão por ver muitas pessoas em sofrimento em vida implorando pela morte.

Talvez, seja esse o caminho que muitas pessoas escolhem, mesmo que inconsciente, para lidar com os seus problemas.

Eu mesma já escolhi a morte algumas vezes: quando abdiquei da minha saúde para focar 100% no trabalho. A desculpa era: tenho que produzir e entregar resultados. O efeito cascata disso era que, além de tudo, eu não me alimentava bem, não me exercitava com regularidade, o meu sono estava desregulado, eu bebia muito e, às vezes, até tragava uns cigarros. Talvez, ela não viria de forma imediata, mas eu estava encurtando a minha linha da vida.

Portanto, quem sou eu pra julgar alguém?

Perder o medo da morte pode ser perigoso… mas, ao mesmo tempo, nos dá outro sentido pra vida. Agora, o que nos cabe é fazer as nossas escolhas baseado no que faz sentido pra gente.

E hoje, mais do que nunca, viver é a única coisa que faz sentido pra mim. E pra vc?

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Por

Nayara Mota

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