Quanto tempo dura o “pra sempre”? Às vezes, alguns segundos.
Eu tinha ilusão de que o “pra sempre” era sobre o “tempo”… o tempo necessário para que as coisas se tornassem inesquecíveis, insubstituíveis e que pudessem ser guardadas no coração.
Quando o meu pai ficou doente, eu observava ele deitado na cama do hospital, com a ânsia de querer guardar cada traço, cada jeito e cada sorriso dele. E eu tentava definir o tempo necessário pra que tudo aquilo se tornasse… pra sempre. Eu tinha medo de esquecer, de não conseguir lembrar ou que não se tornasse tão importante a ponto de não ser “pra sempre”.
Depois, lidando com o luto há 7 anos, eu entendi que o “pra sempre” não é uma medida de tempo… mas de intensidade.
Um momento único e inesquecível, mesmo breve, pode carregar a eternidade em si. É como aqueles segundos que marcam a nossa vida: um olhar, um sorriso, uma despedida ou um reencontro. Quem nunca passou por isso?
O “pra sempre” não tá no relógio, mas na memória do coração.
E sabe o que mais eu percebi? Que, enquanto eu tava lutando contra o tempo, com medo de esquecer o meu pai… me dei conta que eu precisava me reencontrar. E quando me reencontrei, percebi que ele sempre esteve aqui… dentro de mim, o tempo todo. No meu jeito de sorrir, de lutar, de amar.
Eu precisei parar de olhar pra fora, parar de ter medo do esquecimento, e me reencontrar dentro de mim mesma. E aqui, eu achei ele: Inteiro e eterno, como sempre foi.
O “pra sempre” não é sobre lembrar ou esquecer, é sobre sentir. E isso ninguém pode tirar da gente 💚